
Entre Mães · Boletim Semanal
Sabrina Laura
crônicas de maternidade, cura e presença
Edição 16/08/2026
Editorial da semana
Hoje eu não fiz nada direito.
Por Sabrina Laura
Chego em casa no fim do dia com a sensação de que não fiz nada direito.
Tem dias em que eu chego ao fim do dia e parece que falhei em todas as áreas ao mesmo tempo.
Trabalhei, mas ficou coisa pendente.
Fiquei com meus filhos, mas não dei a atenção que gostaria.
Organizei uma parte da casa, mas é só olhar para o lado que tem outra coisa fora do lugar.
Respondi algumas mensagens e esqueci outras.
Tentei cuidar de mim, mas foi correndo.
E aí vem aquela sensação:
“Hoje eu não fiz nada direito.”
Só que, se eu parar para olhar com mais cuidado, talvez o problema não esteja no que eu fiz.
Talvez esteja na régua que estou usando para avaliar o meu dia.
Porque essa régua é cruel.
Ela espera que eu trabalhe como se não tivesse filhos.
Que cuide dos meus filhos como se não trabalhasse.
Que mantenha a casa como se não tivesse nenhuma das duas coisas.
Que cuide do meu corpo, da alimentação, do relacionamento, das amizades, da vida financeira, da saúde emocional…
E, claro, faça tudo isso com paciência, presença e um sorriso no rosto. 😅
Não tem como ganhar esse jogo.
Porque, quando a expectativa é dar conta de tudo perfeitamente, qualquer dia real parece insuficiente.
E talvez você tenha aprendido isso muito antes de ser mãe.
Talvez você tenha aprendido que ser uma boa menina era fazer tudo certo.
Não dar trabalho.
Ter boas notas.
Ajudar.
Ser responsável.
Não reclamar.
E aquela menina cresceu.
Hoje ela trabalha, tem filhos, boletos, compromissos, uma casa para administrar e uma vida inteira acontecendo.
Mas continua tentando merecer aquele:
“Muito bem, você fez tudo certinho.”
Por isso descansar pode dar culpa.
Deixar alguma coisa para amanhã incomoda.
Pedir ajuda parece fraqueza.
E quando alguma coisa dá errado, você não pensa apenas:
“Isso não saiu como eu gostaria.”
Você pensa:
“Eu não estou dando conta.”
Percebe a diferença?
Uma coisa fala sobre algo que aconteceu.
A outra fala sobre quem você acredita que é.
E é aí que mora uma parte importante da nossa autocobrança.
Seus filhos também estão olhando para essa mulher.
Eles não aprendem apenas quando você diz:
“Filho, não precisa ser perfeito.”
Eles aprendem quando veem o que você faz quando não consegue ser perfeita.
Quando o jantar não sai como planejado.
Quando você esquece alguma coisa.
Quando precisa pedir ajuda.
Quando está cansada.
Quando decide que aquela louça pode esperar até amanhã.
Seu filho está aprendendo com você o que significa errar, descansar, pedir ajuda e reconhecer os próprios limites.
E talvez uma das coisas mais bonitas que possamos ensinar seja:
Eu posso não dar conta de tudo e continuar sendo suficiente.
Isso vale para você.
E um dia vai valer para ele também.
Então hoje, antes de deitar e começar aquela lista mental de tudo que você não conseguiu fazer, experimenta inverter a pergunta.
Em vez de:
“O que eu deixei de fazer hoje?”
Pergunte:
“O que eu sustentei hoje que ninguém viu?”
Talvez você perceba que fez muito mais do que imaginava.
E talvez algumas coisas realmente tenham ficado para amanhã.
Tudo bem.
Você não precisa terminar todos os dias com tudo resolvido.
Você precisa parar de terminar todos os dias se sentindo em dívida consigo mesma.
É exatamente esse olhar que aprofundamos no Curar-se para Criar.
Porque antes de tentar ser uma mãe melhor, existe uma mulher que precisa entender por que se cobra tanto, por que sente que nunca é suficiente e por que descansar parece tão difícil.
Quando você começa a reconhecer esses padrões, não muda apenas a forma como você se trata.
Muda também aquilo que seus filhos aprendem sobre eles mesmos através de você.
Se você sente que está cansada de tentar dar conta de tudo e ainda terminar o dia achando que fez pouco, talvez seja hora de olhar para quem colocou essa régua tão alta aí dentro.
— Um convite para você —
Curar-se para Criar
Um caminho para uma maternidade mais leve, com acolhimento e ferramentas terapêuticas.
com carinho,
Sabrina Laura
Terapeuta Sistêmica · sabrinalaura.com
© Sabrina Laura · Ipatinga, MG